Cotidianos

22/04/2008 20:07

Sol

Era meio dia e muito ainda havia que fazer, o jardim semi arrumado, agora necessitava de uns retoques de adubo e podas para aquelas plantas que insistiam em se crescer além da conta para os lados e defronte, onde moram no ar se entrecruzam a outros galhos e se lhe prejudicam o crescimento. É vário e forte a exuberância de cores que agora atingia o vale e as montanhas. Sim, mas a proliferação do matagal, o zunido cada vez mais ofegante dos insetos e essa pelagem textura de lhe tirar os sentidos na moleira. Muito ainda havia que se fazer em sua vida de jardineiro e em muito lhe era exigido o que comer, a mãe em casa, a fazenda, o pai morto e os horizontes cada vez mais próximos, já lhe eram contados 25 e nada ainda na vida. Foi-se tempo de serviço, agora é hora de pular no rio. Divertira-se com os colegas, a bóia, o nado, as brincadeiras de sacanagem. Enquanto se lhe entretem no passar das horas quando se põe sol lá pras tardes da noite, é hora de voltar casa e rever mãe. Mãe morena, cor jambada, mãe serena, mãe amada. Olha muito pra ela todos os dias em que gostaria de lhe dizer certas coisas, que a boca não ousa pronunciar que não seja por gaguejos, mas coisas boas, luminosas, úmidas, plácidas. A mãe lhe satisfaz com um sorriso, um tanto de café e um copo de suco grande , bastante gelo, que é pra refresco de homem trabalhador, que rala do dia inteiro e que não tem medo de enxada e nem de açoite de patrão. Mãe lhe satisfaz, pura. Ao anoitecer meio que inda cabisbaixo soletra palavras com os companheiros da rua, meia varanda vêem a versar sobre os dias que vem vindo. É tempo de muitos mosquitos, desses que a chuva traz e a luz atraí. Envolvido que estava era de namoro com a moça da rua de cima, linda pele bronzeada à gosto do sol, e de linhas bem torneadas pelo bater do roçado e vassoura, sempre em dias claros. A vida se lhe prossegue será longa e cheia de frutos, nada de vida sertã, nada de prmossas vãs feitas a santos ao alcance de milagres.
Dia nasce em cores forttes, mas tingidas. Hora dse passa em meio a lotação sempre sono que ainda quedou na fronha da cama, antes de ir. Bate cabeça no assento da frente acorda sobressalto, inda há tempo de mais um sonho com Rosa. Ela de braços abertos em açude próximo chamando-o para entrar na água, ele animado dá um salto bate perna na pedra, Rosa ri de seu desajeito, socorre-o toca em seu joelho. E uma fresta de luz bate em seus olhos a corda onírica rebenta o que liga o imagineo e o sonho de vida real. Vai cuidar de jardim, que tempo é de beleza, mesmo que em seja pra rico ver e gozar, do fruto de seu labor. Rancor que não leva, mas o dinheiro pro sustento, as vontades da mãe e a crueza do pai que se fora, quando, aperreado que estava de dor que sentia morreu na fila do SUS, calor e calor. Ele inda novo não se deu conta do infortúnio, achou-o bom, Mãe só pra ele agora, pois irmã que se casou, pras roças não voltou, e ele jardim, jardineiro, sonha com Rosa, ri de seu próprio gracejo, e tem Mãe só pra ele. Inda sol torra-lhe a pele, e são ainda meio dia, hora da bóia e muito inda pra se fazer.

enviada por Gustavo Alvarenga






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