 |
05/11/2007 00:33
Contos Ayahuascados II
Diferir, di-ferir, foi apreendendo. Tudo é uno e diferente. È e não, é na medida do que Ser e também seu contrário em contraste com o infinito. Olha os mosaicos firmes na brita como se sempre estivessem ali, cada unidade em outra unidade diferindo, em forma unem-se em um todo que são. De onde vêem? A pergunta retira-o prontamente do sonho, mas não dos mosaicos, alucinados? Re-encontrantes, são entes que permanecem no tempo e se lhes dão a oportunidade revelam-se a um olhar que dessombra. È. Definha-se, aí. Quisera ser somente o que sou, mais nada. Mas tantos, quantos, sempre máscaras anuviam a obra completa, o ser dentro em fundo interior essência. Há de se procurar, mas não se encontra. As unidades de si se perfazem em mosaicos coloridos e desconcertantes, espanta-se com a forma, como as coisas fúteis se unem em um todo belo e notoriamente aparente, espantosamente oculto à visão cotidiana. Nada escapa à um Ser que lhe toma de todo corpo. É. O abraço da Mãe, o aperto no peito do tio, a morte, sempre requisitada, perseguida e inesperada morte, vou sair daqui, olhar além do oceano chamado mundo. Seres estranhos habitam as escalas além do Si, do Si, de todos os Sis. Meio que buscado se re-encontra na finitude. É. Limite. Quer saborear melhores vinhos que de outrora, beijar bocas nunca dantes desejadas, resumir a vida, a isso ou aquilo. Não. È. Não. È. Não. E na contradição é todo certeza de que entre Ser e Não, existe. Brilhantes, como o são, fractais. Instante de infinito no finito, modelo da sobra, da dobra, da viagem. E embora, sinta, marche sempre, de dois em dois em instantes singelos, sente a perda, um cordão tomar-lhe o pescoço, sente o ganho. Além de nós, além dos seres, mas aqui mesmo, nesse singelo coração que por respiração inspira o maior dos milagres, a vida. O não. O Sim. O Ter. As coisas que possuía e que o possuía. Todas as coisas, das mais singelas e importantes, a mais exorbitantes e insignificantes lhe passaram como filme a circular essa parte que vê outro, mas que vê si, a fronte. Outros dias foram se re-cordando, naquilo que lhe vinha peito e que doía. Os acordes dos sons acalentavam-no, eram brisas sonoras que acometiam corpo e suavizava essas visões terríficas e o tempo se fez um presente eterno que lhe invadia êxtase. Sexo, orgasmo, sentiu na fibra das juntas a sensação de estar todo em tudo. Cósmico
enviada por Gustavo Alvarenga
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|
 |