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06/02/2007 22:22
Reencontro
Estou de volta solidão, acolha-me
No rádio as notícias destoam, acalanta alma ferida
Remova solidão a parte antes esquecida que se embrenhava no todo amor que em delongas me envolvia.
Traga-me de volta um tanto de mim que ama a ti, que nos saibamos nos encontros vespertinos, à mesa do bar, a cerveja, o domingo.
Entenda-me solidão, eu, teu sincero companheiro, amante sagaz de tuas fábulas,
espero saudosamente tua face cálida,
serena como a dor de quem partiu e se conheces partido.
Faz-me em alma lusitana, teu saboroso ardor de cantos profanos, entoados em surdina, nas esquinas, ai que temor tenho dos tempos em que só me desfazias.
Mas agora sei e te compreendo, você e eu, enlaçados em eterno.
Sou teu amante poeta insonte.
Sou teu mensageiro de terror errante
Sou tua voz enfim, sua revelação.
Se de existenciares não sou e sei que és. Ré-encontro.
Se em retalhos é que te fazes branda.
Não, não, não, não.
Serás no Tejo que indo a mar me recordarás?
Serás no Tom hostil de um sopro em menor?
Serás de volta a terra, estiado o tempo, sol em céu?
Abandonar-me-ás um dia sólida solidão.
Voltar-me-ei ao meu irradiado de em mim em outra.
Justa-me na medida de um amar mais silencioso.
Interno como sei que assim me queres.
Sereno como é dia em primavera.
Amante de coisas nulas, cruas, como assim nos entendemos.
E de espanto, quedamos olvidados, do fiel pranto, que da espécie humana assim me enlevas.
E no encontro desdencontro que me carregas: vamos amiga, que dia é tarde e noite é finda, montanhas só aparecem quando se sobem, nas vagas das colinas, ao amanhecer.
Viva como és de viver no perfeito equilíbrio entre estar e não.
Ser ou antiga questão.
Estareis contigo oh Gustavo amigo
Quando findares aventuras que te ousas a arriscar, acarinhar corações alheios.
Sabe que no fundo de ti e é em si, eu te resido e volto a habitar-te como antes fora concebido e assim irás de partir, morrer.
enviada por Gustavo Alvarenga
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