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01/02/2007 15:01
Ode ao Louco
Apenas acordou e de salto se viu só: estava no centro da cidade e já era sol. Esse que esquentou seu corpo a ponto de se se despertar. Olhou fundo na garrafa que prismava seres outros que vinham de um edifício dentro, muita gente. Pessoas atarefadas, inham e vinham movimento contínuo, e com os olhos que se fascinam em pouco pelo que se vê, foi em pouco fascinado nesse continuum torpe de movimento. Depois não se ateve mais, levantou, corpo pedia algo, vazio estava dentro, e em tanto se ouvia roncos, que não se sabia de fora ou de dentro, mas que se sabia, e o gosto era de uma avidez profunda de se tomar conta, sentir tanto zonzo, cambaleado, vista anuvia. Viu o prelo que portava, era de foto e letras, e no topo saltava-lhe uma sigla que se conhecia e sabia e juntava-se aquela porção vazia e rancorosa, pôs se a saber que aquele outro de foto, o olhava e se juntava aqueles outros garrafas e lhe estavam dentro. Passa em rua uma barriga grande, vista do baixo, parecia em tudo se engulir, pronto, morde a própria mão arranca-lhe toco de carne e sangue, que sorve e dói e vê. Isso o aliviara em instante, pouco instante, mas que ao depois com dor e sangue vinda do ventre e da extremidade manual, sentiu um grito romper-lhe a boca e se desfazer no ar em meio a outras vozes que o enguliram. Passa-se um outro sorvendo sorvete, vê o visto e o gélido, apóia-se no azulejo de tom frio, sente tudo o mesmo teor, mimetiza-se. Em fim falava-lhe novo a mesma voz petulante, que quer morrer, que vai matar, que quer morrer. Responde ao cego que lhe bate, e em pouco acorda do suor gélido que já se amontoava no passeio. Vou morrer não, se quer matar se mate, eu que não morro. Ao que cego e já apressado, dá de não se escutar, voz inoperante no vazio, sino. Da igreja que já soava oito, sino bate peito estremece, bate dentro, acorda-se em imagem do cão que o apavora, aquele do rabo preso as costas, sem ruído e sem latido, mas de olhar lacrimejante. Foge pela rua, deixando de trás cobertor. Avisa um desocupado de esquina que eles chegaram e já vão lhe pedir o jornal que curarará a fome do mundo, e que o demônio virá da barriga de deus, em forma de cão. Sino, sinal. Olha-o fechado e o tom tanto rubro atinge-lhe em cheio o braço e sentindo-o peso frio sangue, que já lhe acometia mãos. Há meio que seguindo passos de um senhor tenra idade em sua bengala segue a outra margem de avenida que em meio fio se lhe espera. Olha seios despontando de uma malha fina, o antebraço se contorce em dor e braveja com os pelicanos do Alasca que vinham visitar-lhe dentro, sempre em tom falante e sereno, discutindo. Tornam-se amigos, ele, os pelicanos, um de pata quebrada conta-lhe das desventuras da caça aos peixes no atlântico norte e que lhe foi mordido por um bem no meio enquanto avistavam outros, mais fáceis e frios, mas não menos apetitosos. Sente fome. Vê um lixo, é isso. Guarda se lhe apanha na rua, identidade? Os monstros é que sabem do velho que veio guardando um papel no bolso e lotado de peixes na barriga, era um sinal, meu amigo, era um sinal, não ouviu? Guarda se lhe reconhece, louco. Penetra absurdamente dentro da viatura de um sinal que se lhe enviavam de longe, um guru. Do haades herdara esse prazer pelos mortos e a crucificação era o fim de todos os tempos do tempo. Guardou o corpo, remexeu, lamentou, disse que não. Ao por fim no pousar de ombros que se deu no ombro do guarda pediu consolo e aposta no fim de si. Guarda se deu por vencido, disse que lhe cuidariam ali. Foi por meio, do meio, viu que era guarda também, e que passaria assim a vigiar a fome dos outros e aconselhar aos pássaros que não se deixassem mais se convencer pela fartura de peixes dos mares bravios das terras nórdicas. Sentiu arrepio, sono, injeção em veia lhe invadindo, perdemos o resto da trama, destrama-se nos negócios fortuitamente reais..
enviada por Gustavo Alvarenga
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