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07/11/2005 09:21
Certa feita em interior de Minas, Romualdo da Silva, caminhoneiro, casado, pai de 8 filhos, casado com Valdete Aparecida dos Santos, fugiu de casa, após ter ouvido no Rádio, a caminho de casa, que em certa região do Norte, nas proximidades de Santarém no Pará, haviam descoberto mina de ouro, ainda não explorada, e que por desordem burocrática, estava à revelia e de quem custasse ali a explorar. Não apareceu em casa esse dia, revirou o mercedez meia volta, tornou-se para Rio-Bahia. Daria jeito de se atracar no porto ao depois, região longínqua, meio selva, tanto cidade, povo do mato, floresta, garimpo, sucuris. Foi atrás d´ouro, Valdete procurou notícias por semanas até dá-lo como desaparecido na delegacia próxima a sua casa. Chorou com os oito filhos a mentira do falecimento do pai, em acidente de caminhão, longe, muito longe dali, donde o corpo não se traria volta, mas que fora enterrado, meio beira estrada, como indigente. Não quis mais falar no assunto e bem que a todos dias, escutava rádio, esperando a notícia que a aliviaria, a morte de Romualdo, perdido no mundo, em que algum lugar distava, e que nem sequer imaginaria. Teve calafrios, passou fome, voltou à máquina costura, pôs filhos a trabalho na lavoura, no gado, na padaria da esquina. Romualdo perdido em garimpo com algum dinheiro em mão, procurava sorte grande, dessas que lhe poderiam dar reviravolta, não pensou em esposa ous filhos grandes que já estavam. Arrumou-se como pode durante alguns anos no Pará, não quis voltar. Ali arrumara sentido, achou uma pepita certa vez, que lhe valeu uma casa e um fusca velho, que comprara, e sentia no dever, sempre iminente, intermitente, de garimpar. Foi por vacilo que tendo lhe dado endereço ao telefone que com custo mandara instalar que Valdete 3000 km distante, pode saber, via informativo da Polícia, que o fugido fora achado, longe, distante. Quis-lhe cobrar, xingou-lhe Filho da Puta, bem alto, filhos escutaram e choraram, sem mesmo saber porque. Ela teria encontrado modo de se vingar, caso lhe fosse concedida tal sorte, mas não o foi. A viagem era longa, e o homem, mesmo que casado, comunicado, e pedido de volta, via as autoridades locais, teimava em ficar em solo Pará. Interessante de em nada ter-a-ele oportunidade de falta, ou buraco que algum vazio doutro lado do mundo poderia preencher. Desposou Francisca, teve três filhos, ela cozinhava pra ele, e também costurava. Sem o que, ou praque de tudo que lhe fora requisitado, também quis se ir. Certa vez manhazinha foi garimpar e não voltou, conheceu índios akeu akii (gente mansa e pacata) quis morar com eles, bom tempo, sem ser molestado. Viveu na tribo, voltou para cidade, virou mendigo. Sem ouro, terra ou mulher, filhos bastantes, todos bastardos, como ele mesmo do mundo de onde viera e para onde ia. Certa vez quis voltar rever tudo que lhe trouxera, pegou carona caminhão, até Brasília. Ficou ali bom tempo, mendigando e fazendo alguns furtos furtivos a donas desavisadas com bolsas a vista. De lá foi internado em Hospital Psiquiátrico, voltou a rua. Agora como índio akeu akii, que lhe era, em sua nova roupagem, esquecera Romuado e nem se dava conta do Silva. Acho Ana Lúcia, sentada a frente de um bar, esperando o último freguês sair. Ela lhe alimentou, deu-lhe cafuné nas costas, cortou as unhas do pé e da mão e banho. Evangélica, ela converteu Romu, como foi sendo chamado, aos caprichos da divindade, divina idade. Não quis se segurar muito tempo, foi ter com o Pastor, queixou-se de Romualdo, esse lhe ordenara que se lhe impusesse as mãos e exorcizasse demônio que assombrava vida. Romu não era mais. Comprou um bocado de pastilhas, levou a boca, desesperado, fugiu. Em mesma Brasília, foi morto nesse mesmo dia, como índio... Notícia se espalhou Brasil inteiro e Valdete sorriu aliviada...
enviada por Gustavo Alvarenga
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